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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Jomsvikings

A Batalha de Svolder, na qual os Jomsvikings lutaram ao lado Dinamarca contra a Noruega.
Artista: Otto Sinding.

Os Jomsvikings foram um possível clã lendário de mercenários vikings do século X e XI, os quais se dedicavam ao culto de deidades como Odin e Thor. Eles eram politeístas, mas estavam dispostos a lutar para qualquer pessoa que pudesse pagar pelo serviço, mesmo que esta fosse cristã. A lenda referente a eles aparece em algumas sagas islandesas do século XII e XIII, restando apenas 3 runestones e vários lausavísur (composição poética de 1 estrofe) que tratam de uma de suas batalhas.

De acordo com as sagas nórdicas (particularmente a Saga Jómsvíkinga, a Saga do Rei Olaf Tryggvasson e histórias encontradas no Flateyjarbók), a fortaleza dos Jomsvikings, a Jomsborg, estava localizada na costa sul do Mar Báltico (moderna Pomerânia), aproximadamente entre 960 e 1043. Devido a escassez de fontes primárias, a existência de Jomsborg ainda é discutida entre os acadêmicos.

A Saga dos Jomsvikings relata que eles selecionavam criteriosamente quem seria admitido no clã. A admissão era restrita a homens que tivessem provado seu valor entre 18 e 50 anos (houve apenas 1 exceção: um menino de 12 anos chamado Vagn Âkesson foi aceito por ter derrotado Sigvaldi Strut-Haraldsson em um combate). Para que fosse admitido, o candidato deveria realizar uma tarefa que demonstrasse sua força e coragem, geralmente assumida como um holmgang (duelo praticado entre os antigos escandinavos) com um Jomsviking.

Egill Skallagrímsson em um holmgang com Berg-Önundr.
Artista: Johannes Flintoe.

Uma vez que eram admitidos, os Jomsvikings exigiam o estrito cumprimento de um código de conduta a fim de cultivar um senso de disciplina militar entre eles. Assim, qualquer violação das regras sofreria a imediata expulsão do infrator. A cada Jomsviking caberia o dever de defender seus irmãos, bem como de vingar suas mortes, caso fosse necessário. Essa irmandade também se refletia nos lucros, pois os saques das batalhas deveriam ser igualmente distribuídos.

A ordem dos Jomsvikings parecia se sustentar por meio de um rigoroso sistema de controle. Nenhum Jomsviking seria permitido de se abster de Jomsborg por mais de 3 dias sem a permissão do clã e quaisquer blood feuds (feudos caracterizados por confrontos vingativos a fim de restaurar a honra) seriam mediados pelos líderes. O integrante era proibido tanto de falar mal de seus companheiros quanto de discutir com os mesmos. Ele também era proibido de demonstrar medo ou de fugir do confronto de um inimigo de força igual ou inferior. Nenhuma mulher ou criança podia adentrar as paredes da fortaleza e ninguém devia ser tomado como cativo. Apesar disso, não se sabe se os membros tinham permissão para se casar.

Fonte:

terça-feira, 12 de março de 2013

A Batalha de Hjörungavágr


File:Olav Tryggvasons saga - Uvaeret Hjoerungavaag - H. Egedius.jpg
Tempestade durante a Batalha de Hjörungavágr


A Batalha de Hjörungavágr foi uma batalha naval semi-legendária que ocorreu no final do século X entre os jarls de Lade (dinastia de governadores noruegueses) e uma invasão dinamarquesa liderada pelos Jomsvíkings (mercenários vikings dos séculos X e XI). Essa batalha teve um papel crucial no empenho de Haakon Sigurdsson para a unificação de seu poder na Noruega, visto que foram eles os vitoriosos.

Haakon Sigurdsson governava a Noruega como um vassalo do rei Harald Bluetooth (Harald, O Dente Azul) da Dinamarca. Entretanto, Haakon mostrava-se mais como um governador independente do que um vassalo propriamente dito. Ele era um fiel devoto aos deuses do panteão nórdico. Em 975, quando Harald Bluetooth tentou forçá-lo a se converter ao cristianismo, Haakon rompeu sua aliança com a Dinamarca. Então, Harald, sem o apoio de Haakon, acabou sendo derrotado pelo imperador germânico Otto II. Haakon, por sua vez, aproveitou-se da oportunidade: tirando vantagem da posição enfraquecida do rei dinamarquês, proclamou a independência da Noruega.


File:Olav Trygvasons saga - Uvaeret, Hjoerungavaag - G. Munthe.jpg
"Storm in Hjørungavåg"
Artista: Gerhard Munthe


A batalha é descrita nas sagas reais nórdicas, tais como o Heimskringla, bem como a Saga Jómsvíkinga e Gesta Danorum de Saxo Grammaticus. Saxo Grammaticus estimou que a batalha aconteceu quando Harald Bluetooth ainda era vivo. Seu período é considerado o ano de 986.

Alguns contemporâneos da poesia escáldica aludiram à batalha, incluindo os versos de Þórðr Kolbeinsson e de Tindr Hallkelsson. O evento também foi o tema de poemas e sagas posteriores. O Jómsvíkingadrápa, de Bjarni Kolbeinsson, exalta os Jomsvikings, mesmo derrotados. O Vellekla, composto pelo poeta islandês Einarr Helgason, também fala da Batalha de Hjörungavágr. Também, o Fagrskinna apresenta a história da Noruega com ênfase nas batalhas, incluindo a batalha em questão.


Fonte:

sábado, 5 de janeiro de 2013

Styrbjarnar þáttr Svíakappa

Styrbjarnar þáttr Svíakappa [O conto de Styrbjörn, O Campeão Sueco] é um conto (þáttr, como são  chamados os contos islandeses durante os séculos XIII e XIV) que trata de dois monarcas suecos, entre eles Styrbjörn the Strong [Styrbjörn, O Forte]. O conto está conservado no Flateyjarbók e, provavelmente, é uma versão condensada de uma saga que fora perdida.

Juntamente com o Hróa þáttr heimska [O Conto de Roi, O Tolo], o conto de Styrbjörn está inserido na descrição do cortejo de Olaf Haraldsson (rei Olaf II da Noruega, 1015-1028) à princesa sueca Ingegerd Olofsdotter (também conhecida como Irene e Anna de Kiev). Seus conteúdos parecem retratar a corte sueca e suas tradições, bem como as gerações de Þorgnýr the Lawspeaker [Þorgnýr, O Recitador da Lei].




Princesa Ingegerd Olofsdotter



Na história, o reino da Suécia é governado pelos irmãos Olaf e Eric. De repente, Olaf morre quando seu filho, Björn, ainda é uma criança. Quando Björn completa 12 anos, ele exige de seu tio Eric metade do reinado, visto que é de seu direito. Entretanto, Eric o afasta, determinando que ele espere até completar 16 anos. No decorrer do tempo, Björn, que é forte e orgulhoso, acaba se envolvendo em todo tipo de briga, matando inclusive um dos cortesões de Eric. Pelo seu espírito agressivo e sua força, ele é apelidado de Styrbjörn, O Forte.

Os fazendeiros suecos não aprovam seu comportamento e, em uma assembleia, votam para que ele não seja rei. A fim de consolá-lo e afastá-lo de vez do reinado, Eric o presenteia com 60 navios de guerra para que ele parta em viagem. Styrbjörn assim o faz, atacando e saqueando as costas do Báltico. Em seus saques, porém, ele derrota os poderosos Jomsvikings (elite de mercenários vikings), forçando-os a o aceitarem como líder.

Em seguida, Styrbjörn invade a Dinamarca. Ele não cessa as invasões até os daneses cumprirem suas ordens - entregar a princesa Thyra em casamento e assisti-lo com todo o exército em 3 grandes batalhas. Além dessas demandas, ele também ordena que o permitissem recrutar um homem de sua escolha para sua próxima campanha. Quando os daneses finalmente decidem ceder às suas investidas e concordam com as exigências, Styrbjörn seleciona o próprio rei danês, Harald Gormsson, O Dente Azul, para acompanhá-lo.

Sentindo-se enfim poderoso, Styrbjörn retorna à terra natal e ataca a Suécia com seu exército massivo, ávido para desafiar seu tio. Ele sucede, toma o trono sueco e realiza um sacrifício a Thor. Eric the Victorious [Eric, O Vitorioso], por sua vez, realiza um sacrifício a Odin, prometendo pertencer ao deus 10 anos após a vitória na guerra, caso ele ganhasse. Eric, tio de Styrbjörn, foi o primeiro rei sueco (970-995), cuja identificação histórica ainda é muito discutida devido a imprecisão documental remanescente.

No conto, Þorgnýr havia inventado uma engenhosa máquina de guerra ao amarrar cavalos e vacas junto com lanças e objetos pontudos, invenção essa que fora crucial para o exército inimigo. Quando os exércitos se chocam na Batalha de Fýrisvellir, a máquina bélica detona os Jomsvikings. Após 3 dias de batalha, Eric arremessa sua lança sobre os daneses clamando "Eu entrego todos vocês a Odin!". Assim, uma chuva de flechas [de Odin] mata Styrbjörn e seus homens. O nome "Vitorioso" do monarca Eric fora atribuído graças a essa vitória.




Eric roga a Odin antes da Batalha de Fýrisvellir.
Artista: Jenny Nyström




Styrbjörn é carregado depois da Batalha de Fýrisvellir.
Artista: Mårten Eskil Winge (1888)



Fonte:

Styrbjarnar kappa

The Tale Of Styrbjorn



Sugestão de leitura:



[Religião Nórdica Antiga sob perspectivas a longo prazo - Origens, Mudanças e Interações]



Autores: Anders Andrén, Kristina Jennbert, Catharina Raudvere
Editora: Lund: Nordic Academic Press, 2006
Disponível apenas em inglês.

Fruto de uma conferência internacional em Lund, Suécia (junho 3-7, 2004), o livro consiste em mais de 70 artigos produzidos por acadêmicos focados em religião nórdica pré-cristã. Os artigos abordam assuntos como arqueologia, história da arte, arqueologia histórica, história, história das ideias, história teológica, literatura, onomásticos, línguas escandinavas e estudos escandinavos. A obra também faz referência ao conto de Styrbjörn.